Mostrando postagens com marcador Religião. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Religião. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

JAMIL RACHID OLUWÔ DE AZAWANI FALA DE TATA FOMOTINHO

Em pé, Tio Edécio (Dofono), da esq. p/ dir. Tio Otávio (Fomo),"Babá" Ogan Damaceno, Pai Jamil


Eu comecei em 1948; muito novo ainda, me iniciei com Pai Jaú, o Sr. Euclides Barbosa muito conhecido que tinha o terreiro de Umbanda em Bonsucesso, Guarulhos.
O Terreiro era muito grande, tinha cerca de 300 médiuns, foi uma fase difícil, muita perseguição da policia. Por volta de 1950, eu e o Edécio, um dos companheiros no barco de Tatá Fomotinho, que na época já era mais desenvolvido, fomos fazer um trabalho para uma menina de três anos que estava passando por um problema muito sério. A partir daí nós decidimos alugar um cômodo e iniciar nosso próprio terreiro. Assim começou minha vida na Umbanda.

Em 1958, o Dr. Luiz de Moura Acioli, Presidente da União de Tendas de Umbanda do Estado de São Paulo (que foi quem abriu aqui na cidade de São Paulo a Tenda São Jorge, na Rua Santa Ifigênia, trazendo do Rio de janeiro o ritual de Umbanda), me pediu que fosse ao Rio de Janeiro levar um oficio para o Joãozinho da Goméia. Aproveitando que eu estava no Rio, Joãozinho também me pediu que fizesse a ele um favor que fosse até Vilar dos Telles levar uma carta dele para Tatá Fomotinho o Senhor Antonio Pinto. Chegando La, eu disse “Sr. Antonio, o Sr. João da Goméia pediu que eu lhe entregasse esta carta em mãos”. Ele pegou a carta e me convidou para  entrar e sentar um pouco; fazia muito calor e eu estava realmente cansado. Depois, ele me olhou e perguntou meu nome. Eu lhe respondi e ele começou a balançar a cabeça, mas não falou nada. Ele me perguntou “Você já entrou em algum terreiro antigo?” eu respondi que não, e disse que o primeiro Candomblé que conheci foi o de Joãozinho da Goméia. Ele então me convidou para conhecer o terreiro, a Casa de Exu, Casa de Obaluaies, e na tradição Jeje é tudo diferente do que eu já conhecia. Nesse mesmo dia ele me disse que faria uma festa para Oxum e me convidou para assistir, e eu fui. Chamei o Edécio e o Otávio para irem comigo, e fomos para o Rio de Janeiro.

Chegando lá na hora do toque, os três Obaluaies bolaram! E nós não estávamos preparados para aquilo, tínhamos ido para assistir a um ritual de Nação Jeje. Depois disso, Tatá nos recolheu e disse, “Olha vocês é quem sabem, querem voltar para São Paulo, voltem, mas eu não garanto”. Bom, nós já estávamos La mesmo... Naquele tempo eu tinha um comércio, uma Casa de Ferragens na Rua Teodoro Sampaio, liguei e pedi que alguém fosse até em casa, avisar que eu ficaria fora, e que levassem algum dinheiro enquanto eu estivesse ausente. “Se o Tatá acha que devemos ficar, que o Orixá esta pedindo, então nós ficamos”. De recolhimento, dentro do terreiro ficamos 21 dias, mais um mês, naquele tempo não tinha esse negócio de ficarem só os 21 dias e já sair. Ficamos mais um mês, cumprindo os preceitos e rituais. Depois do recolhimento, Tatá Fomotinho nos trouxe de volta para São Paulo. Nessa época eu já tinha um terreiro grande em Pinheiros e o Edécio em São Miguel Paulista, o Otávio também já tinha o seu terreiro aberto. Tatá Fomotinho fez questão de nos trazer, porque ele era responsável por nós. Inclusive, nos dias dos Axés e das obrigações lá no Rio de Janeiro, o Pai Pequeno do Edécio, do Otávio e o meu, também participaram das cerimônias, porque depois seria preciso dar continuidade a isso por aqui. Então, chegamos a São Paulo em uma verdadeira comitiva, nós três, mais os três Pais pequenos, e Tatá Fomotinho.

A chegada dos três Vodunsis a São Paulo foi uma verdadeira festa, após esse tempo todo fora das nossas atividades aqui em São Paulo.

Tatá Fomotinho
Depois da nossa iniciação, Tatá Fomotinho costumava vir a São Paulo todo ano para fazer os Axés, já que nós tínhamos casa aberta, era feito o assentamento o que fosse necessário, juntamente com o Ogan José, que era o braço direito da Casa de Tatá.

Em 1966, Tatá estava em um ponto de ônibus e um veiculo desgovernado subiu à calçada e acabou atropelando as pessoas que ali estavam inclusive Tatá Fomotinho. Desse acidente foi possível salvar a vida dele, mas ele acabou ficando com seqüelas, porque bateu justamente a cabeça. Ficou um tempo internado em um hospital lá no Rio, e, depois de recuperado, de vez em quando ainda vinha a São Paulo.

Na ultima vez em que aqui esteve já não estava muito bem, e a minha esposa, na época a Laura, lhe deu toda a assistência necessária. Depois disso eu, Edécio e Otávio, os três Vodunsis, o levamos de volta ao Rio de janeiro. La ele ficou na casa do Djalma de Lalu
para não deixar Tatá sozinho na Roça.

Foi uma época em que ele começou a não passar bem, teve diversos problemas de saúde e acabou falecendo. Então nós voltamos novamente ao Rio para acompanhar toda a cerimônia fúnebre.

Tatá Fomotinho, foi um grande sacerdote da Nação Jeje Mahi, que levou ao Rio em meados da década de 1930, a tradição de Jeje, sempre muito humilde, foi uma pessoa exemplar para todos os filhos de Santo “

Pai Jamil, narrou um pouco de sua trajetória da sua feitura de Santo com Tatá Fomotinho, O Pai Pequeno que ele citou foi o Ogan Ernesto o Ogan Mais velho da casa que já nos deixou hoje a nossa casa possui um grande grupo de Ogans e Ekedes, alguns deles com mais de trinta anos de confirmação, o Pai Pequeno é o Pai Edmundo de Jagun, Ogan Felício Bajigan, Ogan Juvenal Ogan Kolofé, Ogan Walter meu irmão de Santo Pejigan da Casa, e os Ogans, Robson, Gilberto, Alecler, Josué, Basílio, Rodolfo, Luiz, João, Ari os Alabês, Roberto, Marcelo e Carlinhos, e, as Ekedes, Marina, Yara, Marlene e Janine a nossa Nininha.  

A palavra Vodunsi, significa esposa de Vodun, ou aquela que Vodun possui. Vodun=Divindade, Si=Esposa, mulher fêmea, e é usada para designar as pessoas iniciadas no culto Jeje, após um ano de iniciação.

Culto aos Voduns no Brasil, Nação Jeje Mahi, dentre os habitantes da região de Dahomé escravizados no Brasil, uma mulher chamada Ludovina Pessoa, natural da cidade de Mahi foi escolhida pelos Voduns para fundar três Templos na Bahia;

- Kwe Ceja Hounde, mais conhecido como Roça de Ventura, em cachoeira de São Felix
- Terreiro do Bogun em Salvador
- Um Templo para Ajunsun, fundado mais tarde pela africana Gaiaku Satu, em Cachoeira de São Felix, que recebeu o nome de Axé Pó Egi, mais conhecido como Cacunda de Ayá.
 
No Maranhão temos a Casa das Minas, fundada por Maria Jesuína, com certeza a mais conhecida casa de Jeje do Brasil. Ainda no Maranhão encontramos a Casa Fanti-Ashante, fundada por Euclides Ferreira (Talabian).
No Rio de Janeiro foi fundada pela Africana Gaiaku Rosena, natural de Allada, o Terreiro do Pó Dabá, no bairro da Saúde. Depois Antonio Pinto de Oliveira, Tatá Fomotinho, meu avô de Santo fundou o Kwe Cejá Nassó, minha raiz, no bairro de Santo Cristo, mudou-se para Madureira na Estrada do Portela e depois para São João de Meriti, onde finalmente se estabeleceu na Rua Paraíba.

Tatá Fomotinho deixou uma Legião de filhos, netos e bisnetos, dentre esses, Jorge de Yemanjá, que fundou o Kewe Ceja Tessi, Pai Zezinho da Boa Viajem, que fundou o Terreiro de Nossa Senhora dos Navegantes, Tia Belinha que fundou a Colina de Oxossi, meu Pai de Santo Jamil Rachid que fundou o Ilê de Obaluaie e o Templo de São Benedito, e Tio Amaro de Xangô.

Voduns não usam roupas luxuosas, geralmente preferem à boa e velha roupa de ração. As danças são cadenciadas, em um ritmo mais denso e pesadas. Os Voduns estão sempre de olhos abertos, e, salvo algumas exceções, conversam usando preferencialmente um dialeto próprio, dando conselhos a quem os procura. A iniciação ao Voduns é complexa e longa, e pode envolver longas caminhadas a santuários e períodos de reclusão dentro do terreiro, que podem chegar a durar um ano. Os Vodunsis são submetidos a uma dura rotina de danças, preces, aprendizagem de línguas sagradas e votos de segredo e obediência. Isto é Jeje Mahi.

                      Modupé Tatá Fomotinho

                                  Modupé Oxum Dei, Orixá de Tatá

                                             Modupé a Vodun Bessén o Rei de Jeje Mahi  


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O Dia do Espirita



O Dia do espírita foi criado, tendo como inspiração a partida do nosso maior expoente, o grande e querido amigo Chico Xavier, que faria 101 anos no dia 30 de Junho de 2011.
Mais que uma data comemorativa, O Dia do Espírita virou lei para que possamos ter a oportunidade de refletir sobre os nossos papeis junto aos nossos irmãos de jornada.
Já dizia o saudoso Chico “Somente fazendo o bem para o próximo, estaremos firmes no propósito da evolução espiritual”.
Chico Xavier nos orientou e ensinou, o quanto é importante o aprimoramento da alma e que o caminho da verdadeira evolução passa necessariamente pelo servir com humildade. Ele buscou sempre nos lembrar o quanto podemos ser úteis se buscarmos o bem daqueles que sofrem e se desesperam diante da falta da esperança e fé no futuro.
Claro que o “O Dia do Espírita” é um dia de comemoração, uma data que homenageia todos os espíritas, porém, é principalmente um dia de oração, de aperfeiçoamento da alma e de renovação dos nossos compromissos com o plano espiritual.
O Dia do Espírita é o nosso dia.
Uma data especial, uma manifestação de amor.
Vamos juntos comemorar e orar.
Nossos caminhos se abrem a cada dia, na medida em que temos novas oportunidades de militar o bem.
Sigamos em frente, felizes e certos de que nosso querido Francisco Cândido Xavier, o nosso Chico, sempre estará entre nós.
Dia do Espírita dia 30 de Junho, Quito Formiga Autor da Lei Municipal 14.485/2009 que criou o Dia do Espírita.
Gostaríamos de agradecer o nosso querido irmão Quito Formiga por mais esta iniciativa em favor de nossa religião.
                                                                 Axé   

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

AS LEIS DA ESPIRITUALIDADE


 
AS LEIS DA ESPIRITUALIDADE


Para o Umbandista, acreditar na sobrevivência do espírito é o resultado natural da prática religiosa, é a pedra sobre a qual se assentam as três leis básicas que governam os destinos da humanidade: a lei da Evolução, a da Reencarnação e a do Karma. A compreensão profunda dessas leis, fruto da reflexão e da vivencia em que o nosso Templo de Umbanda desempenha o papel de tão linda escola, proporciona elevação espiritual e explica o sentido de nossa missão.

A Lei da Evolução

Lentíssima nos parece à evolução. Quando observamos através da história a vida dos povos e das nações, chegamos a pensar que a humanidade se tornou inconsciente e irresponsável, e que os homens marcham muito devagar em busca do objetivo para o qual foram criados. Isto acontece porem, porque vivemos e pensamos em função do tempo e do espaço, mas estes são em realidades puras ilusões dos nossos sentidos.

Dentro do tempo e do espaço, somos verdadeiros caranguejos a carregar nas costas a nossa casa, andando ora para frente ora para trás. Mas, se atentarmos para o que efetivamente somos como vidas libertas fora do tempo e do espaço, sentiremos estar caminhando a passos gigantescos para a nossa perfeição. Como seres finitos, estamos sempre marcando passo, mas como almas eternas e infinitas, estamos voando e vivendo neste eterno movimento.

Podemos encarar a lei da evolução sob dois aspectos. Primeiramente, pela descida do espírito à matéria, e segundo, pela sua libertação da mesma.

Na sua descida para a matéria, o ser penetra cada vez mais em formas mais grosseiras, complica a sua situação de alma livre, limita a plenitude de sua consciência. Como o desbravador que penetra nas matas para abrir caminho em busca do sol que brilha do outro lado, assim ele se envolve num turbilhão de formas das grosseiras às mais sutis, das mais feias às mais belas, até conseguir dentro da matéria sentir a própria vida, a vida da divindade que esta como um farol a iluminar o seu caminho, ou como um ferrão a empurrá-lo para frente. O homem descobre que esta andando ora mais depressa, ora mais lentamente, porem que a estrada esta aberta.

Segundo a lei da evolução, o espírito desce na matéria, passando pelo reino Elemental, mineral, vegetal, anima e humano, criando, ao longo desse caminho, uma situação cada vez mais favorável a obter o conhecimento de sua existência própria e de sua vida individualizada. Finalmente atinge o estagio da iniciação. Então a consciência já liberta sente a atração da espiritualidade e inicia a sua verdadeira comunhão com ela.

É nesta etapa que o homem se torna consciente das suas responsabilidades e principia a voar para o infinito em busca da luz.

Pela resistência encontrada nas limitações da forma, as almas vão se tornando conscientes e responsáveis do papel de representar no grande plano da evolução.

O conhecimento da Lei da Evolução espiritualiza o homem, porque ele percebe que esta personalidade que tem é provisória e obedece às determinações de uma consciência superior que, se for despertada, poderá levá-lo ao alto da montanha, suave como um barco que desliza num barco azul, manso e sereno.   

A Lei da Reencarnação

A lei da reencarnação não é uma descoberta nova. Desde milênios, a história, as religiões e as filosofias, das mais antigas do Oriente e do Ocidente, falam que as almas renascem em corpos mortais. Se lermos as escrituras antigas bem como a literatura dos povos antigos, veremos que se basearam nesta lei maravilhosa, que não limita a vida espiritual entre o berço e o tumulo.

No século passado, o Espiritismo e a Teosofia proporcionaram ao mundo ocidental o conhecimento desta lei. O Espiritismo, pelos fenômenos que provam a continuação da vida depois da morte. A Teosofia, criando uma literatura mista oriental-ocidental e fazendo este magnífico trabalho de ligar o Ocidente ao Oriente, e como as religiões e filosofias orientais são todas reencarnações, a sua divulgação trouxe para o Ocidente os benefícios desse conhecimento.

Como conseqüência, a humanidade atual adquiriu um novo modo de entender a vida e os problemas religiosos e sociais, a alma sabe que se semear ventos colhera tempestades, e se semear boas arvores frutíferas colhera bons frutos. Esta igualdade ciente de que todos somos iguais, porque a cor da pele, a raça ou a nação em que ela nasce ou o sexo a que pertence são formas que mudam rapidamente de uma encarnação para outra, podendo sofrer as conseqüências do mau uso ou abuso de sua raça, sexo ou posição social.

O homem torna-se, assim, consciente de ser uma alma em evolução. Aceitando essa lei, ele tem diante de si um caminho mais amplo a seguir, que o leva ao sentido real dos princípios de fraternidade e igualdade.

Neste vaivém constante da alma trocando corpos, existe uma continuidade que leva sempre para frente. Não há possibilidade de volta para trás e, embora numa existência os erros pessoais sejam graves e os males causados a outros os piores possíveis, ela estará progredindo sempre. Em meio das falhas da personalidade, esta oculto aquela partícula divina escondida pelos seus erros, porem, em determinados momentos, o espírito reflete na personalidade a sua divindade.

Os erros praticados formam o mau Karma para a encarnação futura, mas as dores, os remorsos, o arrependimento bem como os sentimentos de amor, embora egoístas e grosseiros, levarão a alma mais perto da luz, que brilha no cosmos e reflete no seu interior.

A vida de uma alma é como a existência da lagarta que, desejando o contato mais direto com o sol e a terra, se cria dentro de uma casca para se libertar dela depois pelo próprio esforço.       

Com o passar dos séculos e as experiências adquiridas, sua vida vai se modificando, e aquele que foi um selvagem semi-animal se transforma no pai amoroso no pai amoroso e gentil, no esposo afetuoso, na mulher dedicada e carinhosa, até se tornar um grande ser, amante e auxiliar de toda a humanidade.

A Sabedoria Divina esta sempre presente. Ela sabe o que somos e trará para o consciente tudo o que for útil a nossa evolução. Esperemos que tal acontecimento se dê, vindo do interior do nosso ser, procurando, a cada nova experiência, tirar o máximo de proveito em aprendizagem, compreensão, sabedoria, humildade e harmonia.

A Lei do Karma

Karma é uma palavra sânscrita difícil de traduzir, que significa, ao mesmo tempo, ação e reação. É a lei de causa e efeito, que fica mais clara quando pensamos no dito popular; “Quem semeia ventos colhe tempestades”. Ao homem trás ela a consciência de que nada ocorre por acaso, de que nenhuma palavra má deixa de ter conseqüências ruins. Da mesma forma, um simples sorriso enviado a alguém produz momentos de alegria a quem o enviou.

É importante compreender estes dois aspectos do Karma, o negativo e o positivo, porque é comum falarmos sempre de Karma como uma má herança, esquecendo-nos que o Karma também é a boa herança.

Quando o individuo age bem, não só cria bom Karma futuro, como anula maus Karmas anteriores. Assim, se um homem sofre as conseqüências de uma limitação pessoal que o impede de melhorar suas condições matérias ou espirituais e se esforça por ser útil em vez de se conformar passivamente com a sua limitação, ele melhora suas futuras possibilidades Kármicas. Colaborando na evolução alheia, libera forças que poderão muito antes do que se espera libertá-lo do mau Karma, com resultados benéficos em sua vida material, moral e espiritual.

Quando age em beneficio próprio, muitas vezes prejudicando os outros, o individuo faz mal Karma, mas esta agindo e provocando movimento. E como toda ação gera uma reação igual, sua atitude lhe trará como resultado o sofrimento que o levará aparentemente para trás, porem este sofrimento será um impulso para que ele vá novamente em frente. É como o corredor que, dando um passo atrás, ganha força e muitas vezes consegue vencer passando os outros que estavam à sua frente. Pior colheita é a daquele que, com medo de perder, permanece passivo.          

As lutas, guerras e revoluções sociais tem como maiores responsáveis aqueles que comodamente se isolam, vivendo unicamente de si para si, numa atitude passiva, sem se preocuparem nem mesmo com o seu destino. São águas paradas que, ao invés de correrem para produzir força e energia, tornam-se prejudiciais a saúde. É da energia individual combinada com a de outros que se forma a sociedade, com princípios bons e maus.

Deduzimos daí que a dois tipos de Karma, o individual e o coletivo. Como o individuo é apenas uma parcela da coletividade, e existe um principio comum a todos, ninguém pode evoluir independentemente. Se faz parte de um todo, sua ação se reflete nas demais partes e estas se refletem nele.

A ação e reação do Karma agem independentemente nos níveis da ação, do sentimento e do pensamento. Daí a existência de Karma físico, emocional e mental, que podem ser deferentes entre si.

Dos três Karmas, o que merece nossa maior atenção é o mental. Como a matéria do plano mental é mais sutil, ela age com mais rapidez, portanto, é mais fácil realizar bom Karma mental do que os outros, mas também é mais fácil realizá-lo mau.

Um individuo com mau Karma físico ou emocional, porem com boas possibilidades mentais, poderão vencer o Karma com toda a rapidez, ao passo que o dotado de bom Karma físico e emocional, mas limitado mentalmente, terá que pagar “Olho por olho e dente por dente”, até que seja capaz de atuar mentalmente para modificar as suas condições físicas e emocionais.

Isto significa que o homem se transforma naquilo que pensa o que nos ajuda a entender que o Karma não é apenas uma herança, mas um movimento ativo que vamos manifestando no decorrer da vida, não há exagero em dizer-se que a maioria dos sofrimentos do homem não provém de um passado longínquo, mas são produtos de insensatez da vida presente.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

7° Encontro de Médiuns e Curimbas realizado pela FENUG – Federação Espirita Núcleo Umbandista de Guarulhos.



Dia 02 de Novembro de 2011, foi realizado no Teatro Adamastor Centro de Guarulhos SP, o 7° Encontro de Médiuns e Curimbas pela FENUG – Federação Espirita Núcleo Umbandista de Guarulhos.
Fundada em 13 de fevereiro de 2006, a federação é uma instituição que tem o propósito de documentar e legalizar terreiros de matrizes afro-brasileiras (umbanda e candomblé), bem como ministrar cursos voltados à religião. Filiada ao Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo, a FENUG vem lutando junto com grandes amigos e irmãos de outras federações para elevar o nome da religião em sentido religioso e sócio-político, para que todos tenham direitos iguais perante a sociedade!
O Evento contou com Grandes participações, entre elas a Escola de Curimba Aldeia de Caboclos, Umbanda e Ecologia; Emoriô etc... Também tivemos a participação do Pai Élcio de Oxalá que, com sua belíssima voz deu inicio a abertura cantando o hino da Umbanda.
Outra apresentação muito especial foi da Aldeia indígena Piaçaguera onde a Mãe Veronica faz um trabalho excepcional.
Entre muitos convidados que foram homenageados, Ogan Juvenal foi um deles. Ele falou da importância do encontro, agradecendo a todos e não se esquecendo de citar mais uma vitória da religião, onde dia 26 de outubro participou de uma comissão de religiosos em uma reunião com o Deputado Estadual Feliciano para tratar do assunto de sacrifício de animais nos ritos religiosos. O Deputado Feliciano concordou em mudar o decreto onde proibia os sacrifícios dos animais, mas colocaria outro no lugar sob a supervisão dos membros Religiosos de Umbanda e Candomblé.
Ogan Juvenal não deixou de lembrar a todos ali presente que existe sim leis que protegem os animais e que o IBAMA está atento a tudo, portanto, os rituais serão preservados desde que, não haja nenhum abuso e que é importante todos se conscientizarem.

Parabéns a FENUG, Ogan Oscar Daniel, Wanderley de Oxalá e a todos que contribuíram para este belo evento.

Axé!

Mislene Lopes
Assessoria.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

EU BATO TAMBOR!


Recentemente participando do II Festival de Corimbas da Aldeia de Caboclos, ganhei de um grande amigo uma camiseta que tinha este slogan “ EU BATO TAMBOR ‘, Confesso que fiquei envaidecido pelo presente, pois desde os meus sete anos de idade, já toco os atabaques para nossos Orixás, mesmo com pouca idade aprendi que os nossos atabaques são instrumentos de muita responsabilidade dentro de nossos Templos, pois é com o som dos atabaques que evocamos nossas entidades e nossos Orixás.
Dentro da tradição aos Orixás, ou seja, nos Candomblés, as mulheres não tem permissão para tocarem os atabaques, mais dentro da tradição de Umbanda esta restrição não existe, sendo que as mulheres também tocam os atabaques sem problema algum.
No Candomblé temos treis tambores, o Rum:o tambor maior, o Re: o tambor intermediário, e Rumpi: um pouco menor que é o tambor responsável de iniciar o toque.
Na tradição de Umbanda não existe esta sequência e as quantidades de tambores podem ser menores ou maiores dependendo da necessidade do terreiro e da quantidade de corimbeiros.
Na Umbanda nossos atabaques são tocados frequentemente com as mãos, mais nas tradições africanas, como Jeje ou Ketu , e algumas outras tradições, os atabaques são tocados com as mãos ou com varinhas, chamadas de Agdavis .

Tipos de toques:

Hamunha ou Avamunh: Toque que serve para saída e recolhimento de filhos e orixás. Adarrum ou Adahun: Toque que serve para chamar orixás.
Opanijé: Toque para o Orixá Obaluayê
Alujá: Toque para o Orixá Xangô
Batá: Toque para o Orixá Ogum
Ijexá: Toque para o Orixá Oxum
Ilú ou Ylú: Toque para o Orixá Oyá
Agueré: Toque para o Orixá Oxóssi
Igbin : Toque para o Orixá Oxalá
Batá e Ijexá: Toque para o Orixá Oxalá
Bravun: Toque para o Orixá
Sató: Toque para o Orixá Nanã
Barlavento ou Barravento : Toque de Angola e Congo
Congo de Ouro : Toque de Angola e Congo
Muzenza : Toque de Angola e Congo
Cabula : Toque de Angola e Congo

Conta-se nas lendas africanas que para iniciar um Ogan, era feito o seguinte ritual: Primeiramente a pessoa era escolhida pelo Orixá da tribo a que pertencia, e ai já começavam o ritual de iniciação e os ensinamentos , quando este escolhido atingia certa idade, os membros mais velhos da tribo faziam uma grande reunião e quando chegavam ao consenso de que este jovem já teria a responsabilidade devida, ele era enviado para a selva com sua lança e um facão. Dentro da selva ele teria que escolher uma arvore frondoso, e dela esculpir o seu futuro tambor, trabalho que durava vários dias dentro da mata, após ser esculpido o tambor, ele teria que sair em busca de um animal, selvagem matar, tirar o couro e encourar seu tambor. Ao retornar a tribo era feito todo um ritual de consagração deste futuro tocador de tambor, que a partir desta data passaria a ser uma pessoa respeitada e de muito prestigio dentro de sua tribo. Assim era feita a iniciação de um Ogan nas tradições africanas.
Ainda garoto, eu conheci uma das primeiras escolas de corimbas “Escola de Corimbas Felix Nascente Pinto” comandada pelo saudoso Pai Nilton Fernandes, que fez uma linda apresentação teatral em homenagem aos pretos velhos, na sede da União de Tendas.
A partir daí iniciou-se a grande saga das escolas de corimbas na cidade de São Paulo, foi criada a Escola de Corimbas Umbanda e Ecologia pelo Pai José Valdivino, em conjunto com Pai Elcio de Oxalá e alguns outros irmãos, aliás, este nome Umbanda e Ecologia foram dados pelo presidente da União de Tendas Pai Jamil, na primeira apresentação desta corimba em nossa sede. Tive a honra de batizar a Escola de Corimbas Umbanda e Ecologia em sua primeira apresentação pública que foi numa festa em homenagem a São Jorge no Ginásio do Ibirapuera. Desta casa mãe Umbanda e Ecologia, surgiu o Grupo Aruanã, Pai José Valter, Tambor de Orixá, Ogan Severino Sena, Pai Engels Aldeia de Caboclos, não poderia deixar de citar meu grande irmão Miro Cardoso, o Mirão que por muitos anos foi o instrutor na Umbanda e Ecologia, Escola de Corimbas Élcio de Oxalá sendo que estes grupos foram todos apresentados publicamente por mim, nas festividades de São Jorge- Orixá Ogum no Ibirapuera, pois me sinto e sou considerado padrinho de todos. Desta sequência em diante surgiram muitas outras escolas de corimbas, todas elas bem representadas pelos seus fundadores, Ogans , Alabes , Atabaqueiros, Corimbeiros, aqueles que aqui não citei o nome não se sintam desprestigiados pois tenho o maior respeito, carinho e consideração por todos. Durante as festividades da Festa de São Jorge, tivemos a apresentação de algumas corimbas que não eram escolas, a primeira era a corimba do Templo Espiritualista e Confraternização São Benedito, que era comandada pela minha mãe de Santo Mãe, Laura Rachid, tínhamos a Corimba Pombinho Branco, da Associação Paulista de Umbanda, a corimba do Templo de Umbanda Ogum Beira Mar, Mãe Maria de Lourdes, e a corimba do Templo de Umbanda Pai Xangô da cidade de Guarulhos. Pois é meus irmãos, quantas escolas de corimbas eu já apresentei quantos festivais participei, acho que um dos maiores foi feito pela Associação Paulista de Umbanda junto com o Souesp, na coordenação de Pai Demétrio Domingues, que foi o primeiro encontro de Corimbas, da cidade de São Paulo, realizado no Ginásio do Pacaembu, completamente lotado para este evento. Hoje temos nosso irmão Marcelo Fritz na cidade do Rio de Janeiro, somando junto com os Paulistanos, na apresentação do Atabaque de Ouro, e muitos outros festivais e encontros de corimbas bem organizados, como o encontro de médiuns o da FENUG, na cidade de Guarulhos que já está em seu sétimo ano de festividades.

A todos aqueles que tocam tambor, o meu grandioso SARAVÁ.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...